
Embaixo da Luz de Neon (Come See Me In The Good Light)
– Sinopse: Documentário intimista, acompanha as poetas Andrea Gibson e Megan Falley enfrentando o diagnóstico de câncer incurável de Gibson. Original Apple TV.
– Análise rápida: Parte de um tema que costuma ser tratado pelo cinema com ênfase na dor ou na superação. Aqui, o caminho é outro; recusa o espetáculo do sofrimento e opta pela franqueza. A câmera não busca lágrimas, mas pensamento. O câncer é o ponto de partida, não o destino. O que se desenvolve é uma investigação sobre identidade, pertencimento e liberdade. No centro da narrativa, a inteligência das artistas conduz o debate. Falar de finitude torna-se também falar de amizade, de família, de orientação sexual e da coragem de existir sem concessões. Há um dado particularmente forte: a doença, em vez de apenas limitar, reorganiza. Uma trajetória marcada pela sensação de deslocamento encontra nova pulsação. Ideias suicidas cedem lugar a um desejo concreto de permanecer. Não como epifania forçada, mas como consequência de vínculos reconstruídos a partir da própria aceitação. A direção adota uma postura discreta e ética para sustentar o enredo: a produção é enxuta, o olhar é próximo e interessado nas personagens, não em efeitos externos. Ao evitar o sensacionalismo, a obra alcança algo mais complexo: transforma o relato íntimo em reflexão coletiva. As protagonistas, enquanto revisitam suas trajetórias pessoais e afetivas, entre consultas médicas e conversas íntimas, registram como a doença reorganiza prioridades, relações e perspectivas; a narrativa se constrói a partir do cotidiano, da escuta e da convivência. No fim, não é um documentário sobre morrer. É um filme sobre como viver e como permanecer. E sobre como a luz, às vezes, vem de dentro.
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