(Foto: Marcelo de Souza Romão/ Unsplash)

Celebrado em 7 de fevereiro, o Dia Nacional da Luta dos Povos Indígenas marca a resistência histórica dos povos originários do Brasil. Instituída em 2008, a data homenageia Sepé Tiaraju, líder guarani assassinado em combate contra forças colonizadoras espanholas e portuguesas. Mais do que uma lembrança histórica, o dia convida à reflexão sobre os desafios que os povos indígenas ainda enfrentam para preservar suas culturas, territórios e direitos.

Desde o início da colonização, a imagem dos povos originários foi moldada por um olhar externo e carregado de preconceitos. Em 1500, por exemplo, Pero Vaz de Caminha descreveu os habitantes da terra recém-invadida como “pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas”. Por séculos, essa visão marcada pelo estranhamento e pelo olhar colonizador ajudou a construir estereótipos que persistem até hoje.

É justamente para romper com essas narrativas distorcidas que a literatura se torna uma aliada poderosa. Segundo Laura Vecchioli do Prado, coordenadora de Literatura e Informativos do Editorial de Educação Básica da SOMOS Educação, é fundamental consumir vozes indígenas e revisitar clássicos com um olhar crítico para ampliar repertórios, questionar narrativas históricas tradicionais e abrir espaço para novas perspectivas.

Exemplo disso é a releitura em quadrinhos do clássico Iracema, escrito por José de Alencar durante a primeira fase do Romantismo, que retrata a conhecida história de amor entre uma jovem indígena tabajara e um colonizador português no Ceará. A obra original é marcada pela idealização do amor e pela exaltação da natureza, retratando o indígena como símbolo da identidade nacional e o europeu como uma figura heroica.

Na versão ilustrada, a ilustradora Raquel Teixeira traz sua vivência como mulher indígena para a narrativa, contribuindo para uma nova perspectiva a respeito do grande clássico que quebra estereótipos e amplia o sentido da obra.

Outro caminho essencial é apresentar às crianças livros escritos por autores indígenas. As obras de Daniel Munduruku, premiado autor e ativista indígena brasileiro, representante do povo Munduruku, também são excelentes escolhas para enriquecer o repertório cultural. Compartilhando saberes, memórias e costumes de seu povo, o autor aproxima os pequenos leitores das culturas indígenas de forma sensível e acessível.

Por isso, Laura Vecchioli defende que a literatura é uma forma de estimular essa consciência na nova geração: “Incentivar, desde a infância, a leitura de obras escritas por autores indígenas ajuda a expandir a percepção das crianças sobre a diversidade cultural dos povos originários e, consequentemente, sua visão de mundo”.

Pensando nisso, a coordenadora selecionou 3 obras para celebrar a cultura dos povos originários nesta data. Confira: 

1. O Segredo da Chuva, de Daniel Munduruku – Editora Ática

Preço: R$ 57,00 (Link para compra)
Ilustrações: Marilda Castanha
Páginas64O
O jovem Lua, para salvar seu povo da seca, parte em uma jornada em busca do Espírito da Chuva. Ao enfrentar desafios e desvendar mistérios da natureza, ele aprende lições valiosas sobre a vida e a importância da conexão com os elementos.



2. Um sonho que não parecia um sonho, de Daniel Munduruku – Editora Caramelo


Preço: R$ 67,53 (Link para compra)
Ilustrações: Inez Martins
Páginas: 32
Daniel Munduruku estabelece, neste livro, um diálogo entre as crianças da cidade e as lendas indígenas, mostrando como os sonhos podem passar importantes mensagens para as pessoas.


3. Iracema HQ, José de Alencar e roteiro de Ivan Jaf – Editora Ática

Preço: R$ 100,00 (Link para compra)
Ilustrações: Raquel Teixeira
Páginas: 128
A releitura do clássico aproxima a história secular da nova geração ao ser contada em uma nova linguagem, mais acessível e alinhada aos repertórios visuais e narrativos contemporâneos. Essencial para discutir estereótipos e representação.



Sobre a unidade de Literatura da SOMOS Educação – 
Com mais de 1,6 mil obras em seu catálogo e mais de 500 autores nacionais e estrangeiros, de diversos gêneros literários, a área de Literatura da SOMOS Educação reúne obras dos selos Ática, Atual, Caramelo, Formato, Saraiva e Scipione de literatura infantojuvenil. A área também é responsável pelo Coletivo Leitor, portal que busca difundir o valor e a importância da leitura e da literatura para o ser humano desde criança, estimulando estimular o desenvolvimento da criatividade e da empatia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui