
Mais uma vez, o cinema brasileiro alcança novos patamares no cenário global. Na edição deste ano do Festival de Berlim, um dos mais prestigiados do mundo, dois longas-metragens desenvolvidos na Incubadora Paradiso terão sua estreia global, em edição marcada por uma presença brasileira especialmente expressiva. O feito inaugura um momento inédito para a Incubadora, dedicada ao desenvolvimento de projetos de longas-metragens de ficção. É a primeira vez que obras oriundas deste programa chegam às telas de um grande festival internacional. O evento acontece na capital alemã entre 12 e 22 de fevereiro.
“Nosso Segredo”, filme de estreia da atriz, dramaturga e cineasta Grace Passô, integra a mostra Perspectives, dedicada a cineastas emergentes de todo o mundo. O projeto participou da 3ª edição da Incubadora Paradiso, em 2021. Já “Feito Pipa”, dirigido por Allan Deberton e estrelado por Lázaro Ramos, Teca Pereira e Yuri Gomes, desenvolvido na edição anterior do programa, foi selecionado para a mostra Generation, que reúne obras com temáticas e protagonistas infantojuvenis.

“O campo das artes, no Brasil, é um terreno de realizações engenhosas. Estar em um projeto que cria amálgama entre criação, técnica, programas de viabilização e encontros humanos foi surpreendente. A Incubadora hoje é uma referência em relação aos projetos cinematográficos, sobretudo no Brasil. Eu tive encontros e auxílios fundamentais para a realização de ‘Nosso Segredo’. Estamos, enquanto artistas, sempre buscando um lugar como esse: onde seja possível de pensar, viver e sobreviver no mercado sem abdicar de sonhos e experimentações que também desafiam sistemas”, afirma Grace Passô.
“Entrei para a Incubadora Paradiso em plena pandemia, num período de muitas incertezas para todo mundo e especialmente desafiador para nós, realizadores fora do eixo Rio–São Paulo. Escrever já é, por si só, um processo solitário, e a Incubadora criou um espaço real de troca, tanto com outros roteiristas quanto com mentores. O investimento do Projeto Paradiso no roteiro e no roteirista, entendendo isso como a base do cinema, deu tempo e estrutura para ‘Feito Pipa’ amadurecer” afirma André Araújo, roteirista. “Estrear na Berlinale tem um significado muito especial. Ver aquele sertão que idealizei, os personagens com quem convivi ao longo dos últimos anos, ganhando as telas do mundo é algo difícil de traduzir. É um projeto que nasceu de um lugar muito íntimo e que agora passa a existir em diálogo com outras pessoas, outras culturas e outros olhares. Para além da visibilidade, é a possibilidade de o filme circular, gerar encontros e abrir novos caminhos.”
“A parceria com o Projeto Paradiso foi fundamental. Não só potencializou o desenvolvimento do projeto desde o início, como proporcionou o encontro de partes que se tornaram coprodutores e parceiros incríveis. A Deberton Filmes e a Biônica Filmes assim se conheceram, por intermédio do Projeto Paradiso e, por isso, sou eternamente grato”, complementa Allan Deberton, diretor de “Feito Pipa”.
Josephine Bourgois, diretora executiva do Projeto Paradiso, celebra o marco: “Este é um momento especialmente significativo para a Incubadora Paradiso, o primeiro programa lançado pelo Projeto Paradiso. Acompanhar projetos desde seu desenvolvimento até a estreia em um festival como Berlim reafirma a importância de investir de forma consistente e de longo prazo nos processos criativos e nos realizadores brasileiros, fortalecendo suas trajetórias desde a fase inicial de concepção das suas obras.”
Além desses títulos, outros seis longas-metragens participam do festival com apoio da instituição, por meio do programa Brasil no Mundo, voltado ao fortalecimento da presença brasileira em festivais e mercados internacionais. Na mostra Panorama, dedicada a obras autorais com forte dimensão política, social e estética, foram selecionados “Se eu fosse vivo… vivia”, de André Novais, estrelado pela escritora Conceição Evaristo, e “Isabel”, de Gabriel Klinger, com Marina Person no papel principal.
Na Generation, além de “Feito Pipa”, integram a seleção “Quatro Meninas”, de Karen Suzane — que já havia recebido apoio do Projeto Paradiso após ser selecionado para o fundo de desenvolvimento do Hubert Bals Fund —, e “Papaya”, de Priscilla Kellen, este último na seção Kplus. A presença brasileira na mostra Forum será representada por “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha”, de Janaína Marques, vencedor do Prêmio WIP Paradiso em 2022, durante sua passagem pela seção Copia Final do Ventana Sur, e participante do First Cut Lab Paradiso Brazil, programa de formação e consultoria para filmes em estágio inicial de montagem, em 2022.
Por fim, no Berlinale Co-Production Market, mercado de negócios ligado ao festival, o projeto “Apneia”, de Lô Politi, será apresentado no âmbito do Talent Project Market. Esse programa, voltado a projetos de longa-metragem em desenvolvimento, promove encontros de cineastas com potenciais coprodutores e financiadores.
Sobre o Projeto Paradiso
O Projeto Paradiso, uma iniciativa filantrópica do Instituto Olga Rabinovich, investe em formação profissional e geração de conhecimento com programas de bolsas e mentorias, além de cursos, seminários e estudos. Focado na internacionalização, atua por meio de parcerias com instituições de referência no Brasil e no mundo, criando oportunidades para profissionais em diferentes fases da carreira. Desde 2019 a iniciativa já beneficiou centenas de profissionais brasileiros do audiovisual por meio de suas inúmeras iniciativas.



